Capoeira: patrimônio da cultura brasileira
Acredita-se que a Capoeira tenha surgido no Brasil por volta do final do século XVIII durante o período Colonial, como forma de resistência – luta pela liberdade – dos escravos africanos.
Alguns pesquisadores acreditam que sua origem esteja numa tradição africana denominada N’golo. O N’golo era uma luta inspirada em movimentos de animais que ocorria numa festa típica da ilha de Lubango (sul da Angola), denominada Efundula. Desenvolvida pela tribo Mucopes, a Efundula era um ritual de passagem para a vida adulta, no qual as moças eram disputadas entre os jovens guerreiros da tribo através do N’golo. Ao vencedor cabia o direito de escolher sua esposa sem necessidade de pagamento do dote matrimonial.
Entretanto, outros pesquisadores afirmam que a Capoeira, tal como praticada no Brasil, não fora encontrada em outros países. Acreditam que os povos africanos, que aqui viveram sob a opressão do regime de escravidão, trouxeram consigo tradições culturais que se misturaram e transformaram com o passar do tempo, contribuindo em inúmeros aspectos para a criação da identidade da cultura brasileira. Como fruto dessa mistura de culturas e tradições teria surgido a Capoeira que, camuflada em dança, música e brincadeira escondia uma luta incessante e determinada em busca da liberdade de um povo que mesmo sob as torturas, humilhações e privações da escravidão, construiu a maior parte da história, cultura, costumes e riquezas do Brasil.
Atualmente a Capoeira se apresenta como uma arte que engloba várias artes. Um misto de jogo, luta, dança, ritmo e tradição. Consiste em aplicações de golpes de ataque e contra-ataque, através das mãos, dos pés, da cabeça e dos cotovelos, além de esquivas (movimentos de defesa) e quedas (movimentos que provocam desequilíbrio). Os “floreios”, movimentos acrobáticos que requerem agilidade, flexibilidade, equilíbrio e muita criatividade contribuem para disfarçar a luta em dança e brincadeira. É praticada ao som de instrumentos musicais: o berimbau, o atabaque, o pandeiro, o agogô e o reco-reco. Acompanhados por palmas, estes instrumentos realizam a marcação rítmica que orienta as tradicionais cantigas entoadas durante a roda.
Pessoas de ambos os sexos e das mais variadas idades e condições sociais vêm descobrindo na Capoeira uma atividade extremamente saudável e integradora. Sua pratica aprimora e desenvolve, o equilíbrio, a flexibilidade, a coordenação motora, a capacidade aeróbica, a força muscular, a autoconfiança, o ritmo, a memória e a concentração. Além dos benefícios relacionados ao corpo e à mente, a Capoeira nos coloca em contato direto com nossas próprias raízes culturais, despertando nossa consciência de cidadania.
Por todas as suas qualidades a Capoeira foi reconhecida em 2008 como PATRIMÔNIO IMATERIAL DA CULTURA BRASILEIRA. Segundo o IPHAN,
“O Patrimônio Cultural Imaterial abrange as expressões culturais e as tradições que um grupo de indivíduos preserva em respeito da sua ancestralidade para as gerações futuras. São exemplos de patrimônio imaterial: os saberes, modos de fazer, formas de expressão, celebrações, festas e danças populares, lendas, músicas, costumes e outras tradições. Com a inclusão da Roda de Capoeira e do ofício dos Mestres de Capoeira o Brasil passou a ter 14 bens culturais registrados.”